MERCADO / MARCADO:

M(E)(A)RCADO:

Encontro m(e)rcado.

Intervenção-instalação fotográfica de Cintia Guimarães.

 

Curadoria Marcio Pizarro Noronha

 

Trata-se de mostrar o registro do resto. Trata-se de demarcar um território. Marcado. ENCONTRO M(E)RCADO. O encontro marcado no Mercado. Arcadas. Passagens. Paris, século XIX. Formas anunciadas do reclame, do capitalismo. Brasil, Minas Gerais. Brasil, Pernambuco. Séculos XVIII e XIX. Formas da troca que desaparecem. Relações arcaicas. Brasil colônia. Brasil dos escravos. Mercados públicos. Ponto de encontro, entroncamento, encruzilhada. Culturas. Encravados nos grandes centros urbanos, mercados (de)marcam agora um novo tipo de circulação. Sobrepostas às fantasmagorias coloniais encontram-se as imagens do turismo. Deambulação.

De lá para cá um novo encontro. Cintia Guimarães encontrando sua pesquisa e se perdendo na cidade e se (re)encontrando enquanto se perde, de um modo novo, a partir dos olhos do outro. Ela apreende-aprende, (re)inventa. Sua angústia e seu desejo são ativados por um perder-se e um ir-se de si. Viaja. Sai das Minas para o Recife. Sai do interior e olha ao longe, para a dimensão litorânea do viver, do existir. Faz uma passagem, muitas passagens.

E disso nascem suas fotografias, que são dispostas em formato de livro e que agora ganham a dimensão da instalação. São registros de um mercado. Fontes históricas, figuras do popular, elementos do folclore, jóias do turismo, tudo isto misturado. Daqui para frente o que foi documento vira objeto. Fotografiaobjeto. Objetolivro. Objetoinstalado. A formalização se reinventa. E agora ganha um espaço para uma nova experiência. Reinventar o mercado. Marcar o mercado. A vida dos signos. A vida das cores. Reposicionar e rememorar a experiência para realocar o vivido. Assim, as imagens ganham uma tridimensionalidade e voltam a um lugar possível e imaginável, mas não o mesmo. Outra cena. Outro mercado. De um lado a outro, do Recife à Uberlândia.

Experimente, sinta, observe, revolva, pense, organize, classifique, absorva, toque, caminhe por entre. Dos restos do arcaico dos mercados antigos ao enfrentamento dos trajetos modorrentos das cidades turísticas, Cíntia propõe um colapso entre imagens e disto permite fazer ressurgir uma experiência, a da desordem das coisas que ainda insistem em viver num mundo todo fluxo, todo rede, todo capturado.

Para ver as imagens clique http://www.cintiaguimaraes.com.br/galerias/ver/mercado-marcadomearcado