Maria Pé No Chão
A exposição “Marcações”, que aconteceu em outubro de 2002, no Museu Universitário de Artes da Universidade Federal de Uberlândia, em 2003 na Galeria de Artes da Cemig, Belo Horizonte e em 2004 Goiânia, foi uma instalação do trabalho “Maria Pé No Chão”, realizado através da fotografia digital, em preto e branco, plotada em pvc, em cinco placas medindo 50 x 250 cm cada e com espessura de 2 milímetros, formando um único painel.
Essa obra teve o prêmio especial do júri no XI Salão Municipal de Artes Plásticas, promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa – FUNJOPE, no dia 14 de Outubro de 2003.
A proposta era reproduzir imagens, com uma máquina fotográfica digital, da mulher “Maria Pé No Chão”, nome dado a ela por nunca ter calçado sapato. Dona Maria Pé No Chão tem uma vida comum, como várias mulheres; ela é aposentada, cria seus netos e leva uma vida marcada por conflitos, desencontros, diferenças e preconceitos.
Todas essas características justificaram a escolha dessa senhora para a mostra denominada Marcações. As MARCAS e AÇÕES causadas pela própria vida da “Maria Pé No Chão”, que podem remeter às Marias da rua, do picolé, da padaria, da mãe de Jesus e protetora de um determinado povo; remete, enfim, a todas as Marias dispersas pelo mundo. Marias marcadas pelas ações do tempo, da esperança, das angústias, das perdas e da solidão.
“Maria Pé No Chão” tem o propósito de fazer as pessoas refletirem sobre suas próprias marcas provocadas pelo tempo, tanto o cronológico quanto o sensível, perceptível.
O painel foi montado no chão em uma sala de, aproximadamente, 4 metros quadrados, restando, portanto, 50 cm para as pessoas circularem ao redor do trabalho. Essa era uma opção, a outra era que as pessoas poderiam passar por cima da obra. A instalação contou com uma intervenção sonora da fala da “Maria Pé No Chão”. Com a ajuda de um profissional de áudio foram feitos recortes e pausas, construindo, assim, uma montagem sonora.
O som vinha de um lugar alto, no canto oposto à entrada da sala. No momento em que o espectador entrava no local percebia que não havia nada nas paredes e, depois de alguns instantes, via que a obra estava no chão. Uma vez dentro da sala, o espectador escutava ou não as falas da “Maria Pé No Chão” devido à utilização das pausas na montagem sonora. Com isso, os visitantes ficavam curiosos e começaram a circundar a obra.
Depois de percorrer todo o painel e compreender a montagem sonora, o olhar de desconfiança era o que artista e monitores mais percebiam. Outros olhares, mais curiosos, como o das crianças e de alguns adultos, fizeram com que as pessoas andassem sobre as imagens, brincassem e sentassem sobre elas.
A intenção era provocar uma determinada ação, ou interação do visitante: andar por cima das imagens, senti-las com os pés, brincar de montar imageticamente as partes do corpo da “Maria Pé No Chão”. A partir daí, reelaborar suas próprias marcas.
Cíntia Guimarães, 2004
Para ver as imagens clique www.lofdaimagem.com.br