Dos trajetos aos lugares para repouso do corpo

É a construção de um espaço instalacional de convivência e relações sociais, resultante do processo de pesquisa em poéticas visuais, no programa de Mestrado em Cultura Visual. O método utilizado no processo de construção desta pesquisa toma parcialmente estratégias etnográficas e a construção da interação entre artista, público e obra. A Estética Relacional de Bourriaud, a Arte Participativa como referência no campo historiográfico, as questões pontuadas por Chateau e Mauss e o referencial de obras e de artistas ajudaram-me a pensar nas relações que poderiam ser estabelecidas nesse ambiente da instalação, considerando os conceitos operacionais do corpo e da troca. A pesquisa desenvolvida busca nas relações humanas, nas situações de trocas e nos conceitos de corpo, os conteúdos, as formas e os meios para a produção de uma instalação que envolva a integração entre artista-obra-público. O estudo do corpo se concretiza em uma abordagem visual e física e na coleta de imagens de um corpo para a montagem da instalação que propõe sensações no ato do percurso, provocando situações relacionais entre as pessoas ou mesmo entre a obra e o visitante. A instalação é sensorial e aberta, ou seja, só se completa com a participação do outro, que nesse caso é o visitante. Ao visitante será necessário percorrer toda montagem para se (re)encontrar.  A instalação foi montada e criada no meu ateliê, o qual é uma extensão de minha residência. Os elementos encontrados na instalação, isto é, as fotografias, os objetos, os móveis, os livros, o café e o pão de queijo, e as várias atividades desenvolvidas com os visitantes fizeram parte de um processo que contribuiu para um trabalho pensado dentro das questões da corporeidade, das relações sociais e da participação coletiva e ativa do visitante. A instalação contou com três salas, a primeira uma sala visual, a visão plena, na qual o sentido da visão é privilegiado porque estavam expostas fotografias de grandes dimensões, de um corpo nu em repouso. Na segunda sala, logo após a primeira, encontrava-se o material em fotos, vídeos, livros, armários com desenhos, esboços, gravuras, papéis, obra Maria Pé no Chão, enfim, a minha memória. Meu processo prático e teórico estava ali, aberto para as pessoas folhearem, tomarem para si para que pudessem estabelecer relações e compreensões. Na terceira sala acontecia o que denominei de Ações Corporais onde convidei profissionais que trabalham de alguma forma com terapias corporais, exercícios físicos, treinamentos do corpo para propor atividades corporais com os visitantes.

Trago também um vídeo de aproximadamente seis minutos, que traz imagens desse processo aqui relatado. Esse vídeo integra a pesquisa de mestrado.

Cíntia Guimarães, abril de 2005

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